O caminho adiante
por John Zerzan
Sem uma nova estrutura, ou uma
visão diferente da dos fracassados e limitados esforços
do passado, não haverá possibilidade de desafiar o
todo-envolvente ecocídio, desumanização, e a
destruição que são tão desenfreados
atualmente. Todos sabem que a vela esta oscilando, que a crise
generalizada continua a se espalhar e se aprofundar. Meus parentes
conservadores sabem que tudo está desmoronando. Esta
condição assustadora e sem precedentes deve ser desafiada
em sua totalidade e em suas raízes. Existe cada vez menos
interesse em abordagens parciais, e por uma boa razão:
abordagens parciais apenas garantem que as coisas continuem cada vez
pior.
Tem ocorrido para um número
crescente de pessoas, em vários lugares, que olhar para uma
saída necessariamente envolve atacar a exata natureza da
sociedade. Não somente o capitalismo, mas a sociedade de massas
e sua forma cada vez mais tecnificada, com suas raízes na
civilização. Certamente algumas pessoas tem tomado agora
uma retórica anti-civilização, ao mesmo tempo que
evitam sua essência. Recentemente eu li em uma mensagem na
internet que começava com "eu sou
anti-civilização, mas ..." Este indivíduo listou
coisas que ele/ela condenava, porém, nenhuma dessas coisas
estavam definindo os aspectos da civilização
(domesticação, cidades). Com este tipo de manobra o
jargão muda, e nada mais. Por exemplo, alguém poderia
continuar aceitando o marxismo , com todas as suas
limitações, e ainda sim, por alguma razão, adotar
o rótulo anti-civilização. Tal mal uso de termos
é comum; por exemplo, Noam Chomsky - um mero progressista -
é referido como um anarquista.
Obviamente é o marxismo, em
geral, que é o continuo refúgio para aqueles que
não podem encarar a realidade, e ainda alegam que se
opõem radicalmente a essa realidade. O marxismo, que não
tem sido uma visão inspiradora desde a I Guerra Mundial. O
Marxismo, que proporciona um conforto caso a visão do mundo seja
limitada - conforto se o Século XIX for o contexto (e mesmo
assim, certamente inadequado).
Uma quantidade de potencial
libertador seria incorporado no final da esquerda, isto é muito
claro. Embora tão amplamente, senão universalmente
desacreditada, a esquerda trabalha para manter um horizonte que
é criticamente resumido. A visão da esquerda é
limitada por um par de cegueiras: a recusa em questionar a
produção em massa e a tecnofilia. Quando aqueles que se
identificam como pós-esquerdistas provam isto tomando elementos
cardinais como as "teses", o termo começará a ter
substância.
Generalidades, como a
retórica, servem principalmente para mascarar uma falha de
conteúdo. Heidegger falou infinitamente da autenticidade e foi
um nazista; Sartre focou na liberdade e foi um estalinista. Se a
filosofia é a reflexão de um modo geral, a
política comete o mesmo erro, e muitas vezes com os piores
motivos. Só a especificação e o concreto
transmitem um real significado, e jogam com as conseqüências
das intenções e responsabilidades pessoais. Uma recusa em
ser especifico pode ser tida como a marca do político.
"Anticivilização" e/ou "Pós-esquerda" deve ser
mais do que rótulos, jargões vazios.
Se uma tarefa prática é
a rasura do que resta da esquerda, um igualmente passo é mais
longe, exploração e questionamento sem limites.
Precisamos problematizar, não assumir ou tomar por certo, cada
componente e instituição da marcha mortal da
civilização.
Superar obstáculos deve ser
acompanhado por um aprimoramento na busca de modos para evoluir. Isto
é, as alternativas, os meios para deixar a
embarcação decadente. O espectro de outras maneiras de
viver deve ser absolutamente essencial, caso, se expressões como
"autonomia" e "re-conexão com a Terra" sejam carregar a
importância que irá brevemente ser colocada sobre
nós. Habilidades que não assumem a
continuação da decadente e infantilizadora modernidade,
mas ao contrario, são habilidades necessárias para
abandonar isto. Habilidades ligadas à terra, paisagens
comestíveis, tantas maneiras de aprender e explorar. Habilidades
que maximizam a plenitude e anti-mediação individual, e
que são chaves para compartilhar a visão
anticivilização. Um convite em termos reais, sem o qual
apenas palavras acontecem. Mesmo se os passageiros percebem que o jato
esta inclinando-se diretamente ao chão, eles ainda não
estão certos de pular pela janela.
O reino do espiritual chama, porque
assim deve ser - ou deveria ser - com elementos básicos. Nossa
vida-mundo desincorporado tem perdido lugar na existência.
Já não nos olhamos como parte da teia e dos ciclos da
natureza. A perda de uma relação direta com o mundo
tem bloqueado um antigo entendimento universal de nossa singularidade
com o mundo natural. Os princípios da ligação e da
simplicidade são o coração do conhecimento
indígena: intimidade tradicional com a terra como uma imanente
base da espiritualidade. Este entendimento é uma essencial e
insubstituível fundação da saúde e do
significativo. Esta linha de vida é inestimável. Seu eco
é ouvido em comentários de que a anarquia verde esta na
base de um movimento espiritual, o qual deve colocar a mudança
mundial em repercussão. Isto é algo muito atraente para
eles - e misterioso para mim. Eu tenho que dizer que esta esfera
é intrigante, e aberta para mim. Mas parece bom sentir que algo
esta acontecendo e admitir isso.
Producionismo ou futuro primitivo,
duas materialidades. Um provocado pela extinção do
espírito, o outro por abraçar o espírito e
sua realidade baseada na Terra. O abandono voluntário do modo de
vida industrial não é auto-renuncia, mas um retorno de
cura. Voltando deste presente estado e direção do
mundo, vamos procurar por inspiração daqueles que
tem continuado a viver espiritualmente com a natureza. Seus exemplos
mostram o que precisamos fazer do nosso modo para o que ainda nos
espera, ao nosso redor.
Táticas podem ter muitas
fontes úteis. Supremo é a recusa da total desordem
colapsante e a resistência contra todos aqueles que trabalham
para nos manter emaranhados nisto.
- publicado na Green anarchy #23