Contra a civilização - comunicado  23


O presente comunicado foi encontrado no local de um recente encontro secreto perturbado em dover, Delaware, que houve para facilitar a coligação entre a Chevron, Pepsi-CO, Microsoft, o Sierra Club, o Northern New Jersey Federation of Anarcho-Stalinists (Federação Anarco-Estalinista do New Jersey do Norte, Michael Albert, e o Institute for Social Ecology (Instituto pela Ecologia Social). Esta perturbação parece ser evidência que as ideias e acções insurreccionarias anarquistas verdes e anarcoprimitivstas estão a espalhar-se!

Nos é frequentemente dito que os nossos sonhos são irrealistas, as nossas exigências impossíveis, que nós estamos basicamente loucos em sequer propor um tal conceito ridículo como o da “destruição da civilização”. Então, nós esperamos que esta breve declaração possa esclarecer um pouco acerca de porque é que nós não iremos nos contentar com nada menos do que com uma realidade completamente diferente daquela que nos é imposta hoje. Nós acreditamos que as infinitas possibilidades da experiência humana estendem tanto para a frente como para trás. Nós queremos o colapso da discordância entre estas realidades. Nós lutamos por uma realidade “futura primitiva”, uma que os nossos antepassados uma vez conheceram, e uma que nós podemos vir a conhecer: uma realidade pre/pós-tecnológica, pre/pós-industrial, pre/pós-colonial, pre/pós-capitalista, pre/pós-agrícola, e até pre/pós-cultural – onde nós fomos uma vez, e podemos ser outra vez, SELVAGENS!

Nós sentimos que é necessário levantar algumas questões fundamentais acerca de onde nós estamos agora, como nós chegámos a este ponto, para onde caminhamos, e talvez mais importante, de onde viemos. Isto não deve ser visto como uma prova irrefutável, as Repostas, ou prescrições para a libertação; mas em vez disso, como coisas para se considerar enquanto lutamos contra a dominação ou tentativa de criar outro mundo.

Nós acreditamos que a anarquia seja a última experiência libertadora e a nossa condição natural. Antes, e fora, da civilização (e as suas influências corruptíveis), os humanos eram, e são, na falta de melhores termo, anarquistas. Durante a maior parte da nossa história nós vivemos em grupos de pequena-escala que tomavam decisões face-a-face, sem a mediação de governo, representação, ou até mesmo a moralidade de uma coisa abstracta chamada cultura. Nós comunicávamos, percepcionávamos, e vivíamos numa forma não mediada, instintiva e direta. Nós sabíamos o que comer, o que nos curava, e como sobreviver. Nós fazíamos parte do mundo a nossa volta. Não existia qualquer separação artificial entre o indivíduo, o grupo, e o resto da vida.

Numa escala mais vasta da história humana, não à muito tempo (alguns dizem 10, 000 a 20, 000 anos atrás), por razões que nós podemos apenas especular (mas nunca realmente saber), um desvio começou a ocorrer em alguns grupos de humanos. Estes humanos começaram a confiar menos na terra enquanto uma “doadora de vida”, e começaram a criar uma distinção entre elas próprias e a terra. Esta separação é a fundação da civilização. Não é na realidade algo físico, apesar de a civilização ter algumas manifestações físicas muitos reais; mas é mais uma orientação, uma mentalidade, um paradigma. È baseado no controlo e domínio da terra e dos seus habitantes.

O principal mecanismo de controlo da civilização é a domesticação. È o controlar, adestrar, a criação, e modificação da vida para benefício humano (normalmente para aqueles que estão no poder ou aqueles que lutam por poder). O processo de domesticação começou a desviar os humanos para longe do modo de vida nômade, em direção a uma mais sedentária e estabelecida existência, que criou pontos de poder ( tomando uma muito diferente dinâmica que o mais temporal e orgânico solo territorial), mais tarde a ser chamado propriedade. A domesticação cria uma relação totalitária com as plantas e os animais, e eventualmente, outros humanos. Esta mentalidade vê outras formas de vida, incluindo outros humanos, como separadas do domesticador, e é a racionalização para a subjugação das mulheres, crianças, e para a escravatura. A domesticação é uma força colonizadora na vida não-domesticada, que nos trouxe a experiência patológica moderna do máximo controle de toda a vida, incluindo as suas estruturas genéticas.

Um grande passo no processo civilizacional é o movimento em direção a uma sociedade agrária. A agricultura cria um panorama domesticado, um desvio do conceito de “ a Terra providenciará” para “o que é que nós produziremos da Terra”. O domesticador começa a trabalhar contra a natureza e os seus ciclos, e a destruir aqueles que ainda vivem com ela e a compreendem. Nós podemos ver os princípios da  patriarquia aqui. Nós vemos os princípios não apenas da armazenagem da terra, mas também dos seus frutos. Esta noção de posse da terra e supérfluos cria dinâmicas de poder nunca antes experienciadas, incluindo hierarquias institucionalizadas e guerra organizada. Nós nos deslocamos por um insustentável e desastroso caminho.

Durante os próximos milhares de anos esta doença progride, com a sua mentalidade colonizadora e imperialista eventualmente consumindo a maior parte do planeta com, é claro, a ajuda dos propagandistas religiosos, que tentam assegurar as “massas” e os “selvagens” que isto é bom e certo. Para benefício do colonizador, as pessoas são colocadas em oposição a outras pessoas. Quando a palavra do colonizador não é suficiente, a espada nunca está longe com a sua colisão genocída. Enquanto as distinções de classe se tornam mais solidificadas, torna-se apenas aqueles que têm, e aqueles que não têm. Os que tiram e os que dão. Os governantes e os governados. As muralhas são estabelecidas. Isto é como nos é dito que sempre foi; mas a maioria das pessoas de alguma forma sabe que isto não está certo, e sempre houve aqueles que lutaram contra.  

A guerra às mulheres, a guerra aos pobres, a guerra aos indígenas e as pessoas com base na terra, e a guerra ao mundo selvagem estão todos interligados. Aos olhos da civilização, todos eles são vistos como comodidades – coisas para serem reclamadas, extraídas, e manipuladas pelo poder e controle. Todos são vistos como recursos; e quando eles não têm mais uso para a estrutura de poder, eles são descartados para os campos da sociedade. A ideologia da patriarquia é a de controlo sobre a auto-determinação e sustentabilidade, da razão sobre o instinto e a anarquia, e da ordem sobre a liberdade e o selvagem. A patriarquia é uma imposição de morte, em vez de uma celebração da vida. Estas são as motivações da patriarquia e da civilização; e durante milhares de anos eles têm moldado a experiência humana a todos os níveis, desde o institucional ao pessoal, enquanto eles devoram a vida.

O processo de civilização tornou-se mais refinado e eficiente a medida em que o tempo passou. O capitalismo tornou-se o seu modo de operação, e o calibre da extensão da dominação e a medida daquilo que é ainda necessário para ser conquistado. O planeta inteiro foi mapeado e terras foram fechadas. O estado-nação eventualmente tornou-se o agrupamento social proposto, e estava para estabelecer os valores e objetivos de vastos números de pessoas, é cáro, para benefício daqueles no controle. A propaganda de estado, e por esta altura, a menos forte igreja, começaram a substituir alguma (mas certamente não toda) da força bruta com a benevolência superficial e conceitos tais como cidadania e democracia. Enquanto a alvorada da modernidade se aproximava, as coisas estavam a tornar-se realmente doentias.

Ao longo do desenvolvimento da civilização, a tecnologia desempenhou sempre um papel cada vez mais abrangente. Na realidade, o progresso da civilização teve sempre diretamente ligada ao, e determinado por, o desenvolvimento de cada vez mais complexas, eficientes, e inovadas tecnologias. È difícil dizer se é a civilização que impulsiona a tecnologia, ou vice-versa. A tecnologia, tal como a civilização, pode ser vista mais como um processo ou um sistema complexo do que uma forma física. Ela envolve inerentemente divisão do trabalho, extração de recursos, e exploração pelo poder (aqueles que detêm a tecnologia). O cenário com, o resultado da tecnologia é sempre uma realidade alienada, mediada, e carregada. Não, a tecnologia não é neutral. Os valores e objetivos daqueles que produzem e controlam a tecnologia estão sempre incluídos nela. Diferente de ferramentas simples, a tecnologia está ligada a um processo mais largo que é infeccioso e é propelido para a frente pelo seu próprio ímpeto. Este sistema tecnológico avança sempre, e precisa sempre de estar inventando novas formas de suportar, alimentar, manter, e vender-se a si próprio. Uma parte chave da estrutura tecno-capitalista-moderna é o industrialismo; o sistema mecanizado de produção construído sobre o poder centralizado, e a exploração das pessoas e da natureza. O industrialismo não pode existir sem genocídio, ecocídio,  e imperialismo. Para se manter, a coerção, expulsão de terras, trabalho forçado, destruição cultural, assimilação, devastação ecológica, e a troca global são aceitas e vistas como necessárias. A estandardização da vida pelo industrialismo objectifica-a e torna-a comodidade, vendo toda a vida como um potencial recurso. A tecnologia e o industrialismo abriram a porta para a última forma de domesticação da vida – o ultimo estágio de civilização -  a era da neo-vida.  

Então agora nós estamos na pós-moderna, neo-liberal, bio-tec, cyber-realidade, com um futuro apocalíptico e uma nova ordem mundial. Poderá  tornar-se muito pior? Ou foi sempre assim tão mau? Nós estamos quase completamente domesticados, exceto durante alguns breves momentos (tumultos, rastejando através da escuridão para destruir maquinaria ou as infra-estruturas da civilização, nos ligarmos a outras espécies, nadar nu na corrente de uma montanha, comer comida selvagem, fazer amor, -...adicione os seus próprios favoritos) quando nós temos um vislumbre do que seria nos tornarmos selvagens. A sua “aldeia global” é mais como um parque de diversões global ou um zoo global, e não é uma questão de boicota-lo porque nós estamos todos nela, e está em todos nós. E nós não podemos apenas nos soltarmos das nossas gaiolas (ainda que estejamos impotentes se não começarmos por aí), mas nós temos que arrebentar com todo o maldito lugar, devorarmos os guardas do zoo e todos aqueles que o gerem a beneficiam dele, nos ligarmos aos nossos instintos, e nos tornarmos selvagens outra vez! Nós não podemos reformar a civilização, torná-la mais verde, ou torná-la mais justa. Ela é podre até a raiz. Nós não precisamos de mais ideologia, moralidade, fundamentalismo, ou melhor organização para nos salvarmos. Nós precisamos salvar a nós próprios. Nós precisamos viver de acordo com os nossos próprios desejos. Nós precisamos  nos ligarmos com nós mesmos, aqueles com que nos preocupamos, e o resto da vida. Nós temos que escapar , e destruir desta realidade.

Nós precisamos de Ação

Resumindo, a civilização é a guerra à vida. Nós estamos lutando  pelas nossas vidas, e nós declaramos guerra à civilização! T.H.U.G. (Tree Huggin’ Urban Guerrillas)