Dicionário Niilista - Inteligência Artificial
Por John Zerzan
A busca da Inteligência
Artificial (IA) continua em direção ao momento
ápice da Ciência e tecnologia. A conquista da IA marcaria
uma mudança qualitativa nas ações, na cultura e na
auto percepção da raça humana; O que enfatiza isso
é o tempo que já faz desde que se iniciou esta busca.
Marvin Minsky descreveu o cérebro como um computador feito de
carne , uma visão que ecoa entre os teóricos da IA, tal
como os Churchills. O computador serve constantemente como
metáfora para a mente ou cérebro humano, tanto que
tendemos a ver a nós mesmos como uma máquina pensante.
Note a quantidade de termos mecânicos que se infiltraram no
vocabulário comum do conhecimento humano.
Esta é a total seqüência da produção de
massa, com seu linearismo e homogeneização, carregando
adiante o modo da máquina, em direção ao
não individuo, ao não sensual, e sempre distante do
sentido de natural e de plenitude. Com o movimento da IA (e da
robótica) o humano se torna não essencial.
A metáfora do computador, que entende a mente como uma
máquina processadora de informações e manipuladora
de símbolos, determinou a aparição de uma
psicologia que procura nas máquinas seus conceitos fundamentais.
A psicologia cognitiva se baseia em orientações e
informações de teorias matemáticas e na
ciência computacional. Certamente o campo da IA é agora
co-extensivo com o campo da psicologia cognitiva e filosofia da mente.
O modelo informático abarca desde as disciplinas
acadêmicas até o uso cotidiano.
Em 1981 Aaron Sloman e Monica Croucher escreviam "Porquê os
robôs terão emoções", e em dezembro de 1983
o Psychology Today dedicada à "Máquina Sentimental", um
tributo claro às promessas da Inteligência Artificial. Na
Scientific American de janeiro de 1990, John Searle pergunta: "É
a mente um programa de computador no cérebro?", enquanto que
Patricia Smith Churchill e Paul Churchill fazem a pergunta regra: "Pode
uma máquina pensar?". As possíveis respostas
são, ao meu entender, insignificantes frente a presença
de tais perguntas.
A trinta anos Adorno poderia ver prontamente a diminuição
e deformação contemporânea do indivíduo nas
mãos da alta tecnologia e seu impacto sobre o pensamento
crítico "O computador, cujo quer fazer o pensamento seu
próprio equivalente e que sua grande gloria seria se
autoeliminar - a petição falida da consciência
".Mesmo antes, (1950) Alan Juring previu que pelo ano de 2000 o
“uso das palavras e a opinião geral terão alterado
tanto que uma pessoa poderá falar habilmente sobre pensamento
das máquinas", sem medo de contradições. Seu
prognóstico claramente não trata da
situação das máquinas, mas trata do futuro ethos
dominante.
A crescente alienação traz uma mudança completa em
relação a subjetividade total, o que ultimamente inclui
uma redefinição do que significa ser humano.
Finalmente, é possível, que mesmo as
"emoções" de computadores sejam reconhecidas e
confundidas com o que foi deixado de sensibilidade humana.
Entretanto, a simulação por computador do físico
Steven Wolfram, pretensiosamente reproduz o que ocorre livremente em
processos físicos, levando a uma suspeita conclusão de
que a natureza em sí mesma é um vasto computador. Em um
plano mais tangível, se não sinistro, é o
esforço em criar uma vida sintética via
simulações de computador, o progresso que foi a grande
notícia da Segunda Conferencia Sobre I.A em Santa Fé em
Fevereiro de 1990. O que significa estar vivo também está
passando por uma redefinição cultural.
De forma relacionada, outro maravilhoso desenvolvimento é o
Projeto Genoma Humano do Instituto Nacional de Saúde, Uma
tentativa de 3 Bilhões de dólares do governo em decifrar
as três bilhões de dígitos de seqüência
genética que codifica o desenvolvimento humano.
O Projeto Genoma é ainda outro exemplo do paradigma
desumanizante que está nos tragando: Um prêmio Nobel tem
defendido que conhecer toda a seqüência nos dirá o
que o ser humano realmente é.Adicionado a este horrível
reducionismo, o panorama potencial, o projeto abre caminho para a
engenharia genética.
A neurociência computadorizada, ligada a IA, é colocada em
direção a uma interface do artificial e do humano num
nível neurológico profundo. A tendência, caso
desimpedida, propõem nada menos do que a
ciberorganização dos espaços, incluindo
mudanças genéticas permanentes em nós mesmos.
Em 5 de fevereiro, 1990, na Forbes, David Churchbuck escreveu " O
Ultimo Jogo de Computador: Por Que Estar Na Realidade Se Você
Pode Viver Num Sonho Seguro, Econômico e Fácil de
Manipular? Os Computadores Em Breve Farão Tal Mundo
Possível ". Seu longo subtítulo se refere ao advento dos
jogos de "ciberespaço" que simulam ambientes completos, um
importante passo dos vídeos games!
Verdadeiramente um testemunho à crescente passividade e isolação num mundo artificial e vazio.
Aqueles que ainda enxergam a tecnologia como algo "neutro", como uma
mera "ferramenta" que existe aparte dos valores e sistemas sociais
dominantes estão criminalmente cegos ao ímpeto anulador
de uma cultura de morte.