Niceism (agradavel-ismo - simpatismo)
por John Zerzan

 Niceism. Tendência mais ou menos socialmente codificada, para se aproximar da realidade em termos de "caso outros se comportam cordialmente". Tirania do decoro do qual não permite o pensamento e atitudes individuais. Modo de interação baseado na ausência de julgamento crítico ou autônomo.


 Todos nós preferimos o que é amigável, sincero, prazeroso-agradável. Mas em um mundo arruinado de crise difundida e real, o qual estaria  fazendo com que todos nós radicalmente revisemos todas as coisas; o agradável pode ser o falso.

A face da dominação é por muitas vezes a de um sorriso, uma face culta. Auschwitz vem a mente, com seus administradores que desfrutam seu Goethe e Mozart. Similarmente, não foram monstros com caras de mal que construíram a bomba-Atomica, mas sim simpáticos liberais intelectuais.  Ditto com referência àqueles que têm uma vida computadorizada e aqueles que de outras maneiras são os mantedores principais dessa ordem apodrecedora,  como é o agradável homem-de-negócios (auto-orientado ou outra coisa) aquele que é a costela de uma existência cruel de trabalho-e-consumo através da dissimulação de seus horrores reais.

Casos de simpatismo incluem os “peaceniks”*, dos quais a ética de simpatia os colocam - repetidas e repetidas vezes e novamente situações estupidas e ritualizadas não-vencedoras, aqueles militantes da Earth First! (Terra em Primeiro!) que recusam confrontar a interamente repreensível ideologia no topo de sua organização e o Fifth State (Quinto Estado), das quais contribuições altamente importantes agora parecem estar em perigo de um eclipse pelo liberalismo. Todos as causas de assuntos-únicos, do ecologismo ao feminismo, e toda militância a seu serviço, são unicamente meios de evasão da necessidade de uma ruptura qualitativa com mais do que somente com os excessos do sistema.

O agradável como o inimigo perfeito do pensamento tático e analítico:  Seja uma pessoa que concorde; não deixe as idéias radicais criarem ondas de ressonância em seu comportamento pessoal. Aceite os métodos pré-embalados e os limites da estrangulação diária. Consentimento enraizado, a resposta condicionada para “jogue pelas regras”, regras da autoridade - é a real Fifth Column*, a que esta entre nós.

No contexto de uma vida social estraçalhada que demanda o drástico como a resposta mínima em relação a saúde, o simpatismo torna-se mais e mais infantil, conformista e perigoso. Não pode garantir prazer, somente mais rotina e isolamento. O prazer da autenticidade somente existe contra a moral da sociedade. O simpatismo nos deixa todos em nossos lugares, confusamente reproduzindo tudo que supostamente odiamos. Vamos parar de ser simpaticos com este pesadelo e com tudo que pode nos manter preso nele.

Notas:
* fifth column - grupo clandestino ou facção de agentes subversivos que tentam minar a solidariedade de uma nação de qualquer maneira. (Segundo enciclopédia Britannica)
* peaceniks - termo utilizado para designar pessoas que se opões a guerras e ações violentas realizadas por governos. Pacifistas.