Sociedade
por John Zerzan
Sociedade. Do latim socius,
Companhia. 1. Uma congregação organizada de
indivíduos e grupos relacionados. 2. Aparato totalizador,
avançando as custas do indivíduo, da natureza e da
solidariedade humana.
A sociedade em todos os lugares esta
sendo impulsionada pela rotina do trabalho e consumo. Este movimento
cego e induzido, tão distante de um estado companheirismo,
não toma lugar sem agonia e desafeto. O "ter mais" nunca
compensa o "ser menos", como prova o aumento do vício em drogas,
trabalho, exercício, sexo, etc. Virtualmente qualquer coisa pode
ser e é usada excessivamente em busca de
satisfação numa sociedade em que sua
característica é a negação da
satisfação. Mas tal excesso ao menos fornece a evidencia
do desejo por realização, o que é, uma imensa
insatisfação com o que esta diante de nós.
Os charlatões fornecem todo
tipo de escapismo, por exemplo. A panacéia New Age, um
repugnante misticismo materialista em escala massiva: fraco e
pensativo, aparentemente incapaz de investigar qualquer parte da
realidade com coragem ou honestidade. Para os praticantes da New Age,
psicologia não é nada mais do que uma ideologia e
sociedade é irrelevante.
Entretanto, Bush (provavelmente Bush
pai, N.do T.), avalia: "gerações nascendo entorpecidas no
desespero", foi previsivelmente o suficiente asqueroso para culpar as
vítimas citando seus "vazios de moral". A profundidade da estado
de miséria deve ser melhor refletido pela
informação federal divulgada em 19/09/91, sobre
estudantes do ensino superior, que foi descoberto que ao menos 27% dos
estudantes "pensaram seriamente" sobre suicídio no ano anterior.
Poderia ser que o social, com sua
crescente evidência da alienação - depressão
em massa, a recusa da alfabetização, o aumento das
desordens psíquicas, etc. - deveria ser finalmente ser
registrado politicamente. Tal fenômeno como o contínuo
declínio da participação eleitoral (nos EUA o voto
é facultativo) e a profunda descrença no governo levou a
Kettering Foundation, em junho de 1991, a concluir que "a legitimidade
de nossas instituições políticas é mais
problemática do que nossos lideres imaginam", e em outubro do
mesmo ano, um estudo de três estados (como noticiou o colunista
Tom Wicker em 14/10/91) levou a perceber "um perigoso abismo entre os
governantes e os governados".
O desejo por uma vida e por um
mundo não-mutilado no qual viver colide com um fato deprimente:
é fundamental para o progresso da sociedade moderna a
necessidade capitalista insaciável por crescimento e
expansão. O colapso do capitalismo de estado na Europa Oriental
e na União Soviética, deixou apenas a variedade
"triunfante" do mesmo, no comando, mas agora confrontado
insistentemente com contradições muito mais sérias
do que as que supostamente venceu em sua pseudo-luta contra o
"socialismo". Obviamente, o industrialismo soviético não
foi qualitativamente diferente do que qualquer variante do capitalismo,
e ainda mais importante, nenhum sistema de produção
(divisão de trabalho, dominação da natureza, e
escravismo trabalhe e pague em maiores ou menores doses) pode permitir
a felicidade humana ou a sobrevivência ecológica.
Podemos ver agora uma vista
aproximada de todo o mundo como um moribundo tóxico e sem
ozônio. Quando uma vez a maioria das pessoas procuravam a
tecnologia como uma promessa, agora sabemos com certeza que isto nos
matará. Computadorização, com seu tédio
congelado e veneno dissimulado, expressa a trajetória da
sociedade, estruturada elegantemente aparte da existência sensual
e encontrando sua apoteose atual na Realidade Virtual.
O escapismo da Realidade Virtual
não é o maior problema, quem de nós poderia
prosseguir sem escapes? Do mesmo modo, isto não é tanto
uma diversão da consciência como é uma
consciência de completo distanciamento do mundo natural. A
Realidade virtual testemunha uma profunda patologia,
recordando as telas barrocas de
Rubens que mostram cavalheiros com armaduras rodeados,
porém separados, de mulheres nuas. Aqui os tecnojunkies
"alternativos" da Whole Earth Review, promotores pioneiros da Realidade
Virtual, mostram suas verdadeiras cores. Um fetiche de "ferramentas", e
uma total carência de interesse em criticar as
direções da sociedade, direcionados a
glorificação do paraíso artificial da Realidade
Virtual.
O vazio consumista da
simulação e manipulação de alta tecnologia
deve seu domínio a duas tendências crescentes na
sociedade, especialização do trabalho e o isolamento de
indivíduos. Deste contexto emerge o mais terrível aspecto
do mal: isto tende a ser comprometido por pessoas que não
são particularmente más. A sociedade, que de nenhuma
maneira poderia sobreviver a uma inspeção de
consciência é preparada para prevenir tal
inspeção.
As idéias dominantes e
opressivas não permeiam totalmente a sociedade, ao invés,
seu sucesso é garantido pela natureza fragmentada da
oposição e elas. Entretanto, o que a sociedade teme mais
é precisamente as mentiras que suspeitam sobre as quais ela
esteja construída. Este medo ou recusa é obviamente
não o mesmo como começa a expor uma força mortal
de circunstâncias para as forças dos eventos.
Adorno notou na década de 1960
que a sociedade está crescendo mais e mais enganosa e
incapacitada. Ele previu que as discussões eventuais das causas
da sociedade poderia se tornar insignificantes: a própria
sociedade é a causa. A luta por uma sociedade - se ainda pode
ser chamada de sociedade - face-a-face, em e do mundo natural, deve ser
baseada num entendimento da sociedade hoje como uma marcha
fúnebre monolítica e expansiva.